Abandone as Formas de Revolta Sadia

porque elas não fazem a menor diferença

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hippies republicanos semi-esclerosados

Por todos cantos vemos manifestações "pacíficas". Estudantes revoltados empunham flores, como se hippies tivessem resolvido algo caminhando em avenidas. Os motoristas, pessoas normais tentando manter suas vidas numa relativa estabilidade débil, se revoltam contra o "caos", que nada mais é que chegar em casa 10 minutos atrasado. E agora, pasmem, até a classe média semi-alta se acha movimento social protestando contra a demora de algumas horas para embarcar em seus vôos para Miami ou para o Nordeste. As peruas e mauricinhos estão cansados. Pobres diabos.

Se nem tudo começou com os reformistas pós-petistas¹, por aqui, no Brasil, parece que eles seguem a risca com suas tédio-passeatas, tudo o que manda o manual do esquerdista revoltadinho. A conseqüência da revolta estudantil, por vezes sindical, é nada mais que um pequeno congestionamento para os motoristas e passageiros de ônibus e uma pequena catarse para os pós-petistas. Nada mais. Nada muda, ninguém toma partido (para além da instrumentalização da luta em nome do próprio partido) e tudo segue seu rumo cotidiano logo após a manifestação acabar.

Não se sabe se essa demência começou com os hippies, mas certamente ela se consolidou no medo de qualquer revoltado de tomar um pau da polícia. De lá para cá os pós-petistas evoluíram muito no quesito "protestos", agora entre eles apanhar da polícia e aparecer no jornal oferece inclusive alguma chance de ganhar um carguinho de confiança com algum deputado ou mesmo concorrer a deputado em alguma eleição. Maravilhas do mundo encantado dos vermelhos menos votados!

Seja o que for, apanhar e se revoltar passivamente por ter apanhado ainda é a regra. Então, que brademos em altos tons: os pós-petistas (assim como os hippies a seu tempo) não vão resolver NADA e os policiais NÃO SÃO INVENCÍVEIS. Se a revolta é contra bancos, que se queimem os bancos e se afrontem os policiais. O levante - festivo ou vociferante é necessário para acabar com a bunda-molice.

Aliás, os policiais são controlados por políticos (da esquerda e da direita) que por sua vez só se sentirão intimidados por maiorias ocupadas em quebra-quebras. Se a revolta parecer consensual entre a população - e talvez você possa fazer alguma coisa nesse sentido - os políticos ordenarão que os policiais recuem (como já ocorreu algumas vezes) e pode ter certeza que eles vão querer recuar. Caso contrário, esteja certo de que você participará de uma pequena batalha que poderá ser mil vezes mais divertida do que ir à montanha-russa na Disney. Admita os riscos: ser preso, apanhar e talvez ser hospitalizado. Mas afinal, existe melhor forma de combater a violência institucional que aniquilando o monópolio da repressão estatal de dentro de si e assumindo que a luta pode ser simétrica?

Entenda que após isso você não mudará o mundo, mas certamente deixará o objeto de revolta com um pé atrás antes de fazer a próxima patifaria. Lembre-se do lema dos anarquistas gregos - "Não vamos fazer igual! Vamos fazer pior!" Alguém uma vez disse "é melhor morrer em pé do que viver de joelhos!" - prepare sua máscara, suas canções anarquistas, suas pedras e molotovs e boas festas!

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